Entendendo o cenário de roubo de cargas no Brasil

Como é feita a gestão de transporte?
15 de fevereiro de 2018
O que é monitoramento de cargas e qual sua importância?
2 de março de 2018

O Brasil é realmente um lugar incrível: belezas naturais, povo acolhedor e um clima maravilhoso! No entanto, quando o assunto é violência, o nosso país ostenta números de guerra. Para você ter uma ideia, um comitê de cargas do Reino Unido apresentou uma pesquisa, em janeiro de 2019, na qual o Brasil aparece em 7º lugar no ranking de roubo de cargas.

Um detalhe que chama ainda mais atenção é que, dos 57 países analisados pelo Joint Cargo Committee, os cinco primeiros lugares onde fazer o transporte de cargas é mais arriscado são os ocupados por nações que estão em conflito, como Síria, Líbia, Iêmen, Afeganistão e Sudão do Sul.

Esse cenário de terror é confirmado também pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Firjan, que afirma que, entre os anos de 2011 e 2016, o número de roubo de cargas no Brasil subiu 86%. Estatística inacreditável. Entenda mais em nosso post.

Os demais dados sobre o roubo de cargas no Brasil

Os dados alarmantes não param por aí. Em 2017, os primeiros 44 dias do ano superaram o número de roubo de cargas registrado o ano inteiro em 25 países da Europa, além de Canadá e Estados Unidos. E, somente no primeiro semestre de 2018, o aumento de ocorrências em São Paulo foi de 160%, comparado ao mesmo período do ano anterior.

Em relatório elaborado pela BSI Supply Chain Services and Solutions sobre o cenário do roubo de cargas no mundo, considerando todos os países da América do Sul, o Brasil foi quem sofreu 90% das ocorrências no primeiro semestre de 2018. Dessas, 88% foram ataques a caminhões que, na maior parte dos casos (79%), estavam em trânsito.

Até dezembro de 2016, foram 22.551 crimes com prejuízo médio para o proprietário de cada carga de cerca de um milhão e meio de reais. No geral, a cada 88 caminhões em circulação, um é roubado. Isso significa uma abordagem criminosa a cada 23 minutos.

Essa situação não só representa danos financeiros às transportadoras, como gera um alto nível de insegurança nos motoristas, prejudicando sua rotina e relações de trabalho. Em pesquisa realizada entre agosto e setembro de 2018 pela Confederação Nacional do Transporte, que desenhou o perfil dos caminhoneiros no Brasil, os assaltos e roubos foram apontados por 64,6% dos entrevistados como sendo a maior dificuldade da profissão.

As cargas mais visadas

No topo desse ranking fatídico, ficam os tipos de cargas mais visadas, que são aquelas que têm consumo imediato. Os medicamentos, por exemplo, são responsáveis por 5% da incidência de roubos. Em seguida, vêm os alimentos, cigarros, eletroeletrônicos, autopeças, roupas e produtos químicos. As investidas criminosas ocorrem, sobretudo, em áreas urbanas, e 22% dos veículos não conseguem ser recuperados.

As regiões mais perigosas

O Sudeste, especificamente Rio de Janeiro e São Paulo, lidera o número de roubo de cargas, porém, outros lugares do Brasil também são perigosos. No Nordeste, segundo a Polícia Rodoviária Federal, o prejuízo em mercadorias ocupa a casa das dezenas de milhões de reais.

Os trechos mais inseguros são as BR’s 050, 101, 116, 330 e 316, nas divisas entre os estados de São Paulo, Paraná, Brasília, Sergipe, Bahia e Alagoas. Os números de alguns desses estados impressionam. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, houve um aumento de roubo de cargas na região de 105% entre os anos de 2011 e 2016. Na prática, foram R$ 27,6 milhões de reais subtraídos.

A prevenção ainda é a melhor saída

Em cinco anos, entre 2011 e 2016, a ação dos bandidos contra os caminhões que transportam mercadorias custou 6,1 bilhões de reais à economia brasileira. Essa cifra constrangedora também foi divulgada pela Firjan.

Porém, algumas empresas e seguradoras têm desenvolvido sistemas de monitoramento mais efetivos e, com isso, buscado diminuir os prejuízos. O primeiro passo é a adoção de uma prevenção de perdas baseada em normas e procedimentos rígidos a serem seguidos por todos os envolvidos na logística. Confira, a seguir, algumas medidas essenciais.

Ter colaboradores preparados

É extremamente importante que os motoristas sejam preparados para situações de risco e, principalmente, que estejam aptos a evitá-las. Os treinamentos presenciais são bastante efetivos para esse fim.

Cabe ressaltar que, além da preservação da carga, os treinamentos devem buscar também a segurança dos motoristas. As orientações devem incluir algumas dicas essenciais, como:

  • não compartilhar informações sobre sua rota ou a carga transportada;
  • sempre viajar com tanque cheio;
  • tomar cuidado com falsas blitz;
  • em caso de pernoite, manter o veículo trancado e não dormir em seu interior;
  • não parar imediatamente caso alguém sinalize problemas no veículo, aguardar até encontrar um lugar seguro;
  • redobrar a atenção durante as paradas (há uma grande incidência de roubos nos momentos em que a carga em repouso está desacompanhada);
  • sinalizar à polícia rodoviária qualquer atitude suspeita;
  • em caso de abordagem, não reagir.

Além dos treinamentos, distribua cartilhas com as principais instruções de segurança e telefones de contatos importantes, como seguradora, polícia e bombeiros.

Deixar a manutenção do veículo em dia

Veículos em bom estado, com sua manutenção em dia, evitam paradas inesperadas durante a viagem, em acostamentos ou locais não previstos — situações que podem ser extremamente perigosas. É crucial manter um controle e acompanhamento constante das revisões a serem realizadas em toda a frota, a fim de antecipar problemas mecânicos e de usabilidade.

Evitar o transporte noturno

Muitos roubos de carga acontecem no período noturno, quando as estradas estão mais vazias, com menor visibilidade e os motoristas estão mais cansados e, consequentemente, com déficit de atenção. Portanto, sempre que possível, é preferível optar pelo transporte diurno.

Se não for possível evitar as viagens à noite, uma alternativa é tentar realizar o trajeto (ou, pelo menos, parte dele) em comboio, manter-se próximo a outros veículos é mais seguro. A comunicação constante entre a empresa e o motorista, nesses casos, também é primordial.

Realizar o planejamento de rotas com cuidado

É prática comum as quadrilhas de roubo de cargas no Brasil observarem por um tempo a rotina de determinada frota: sua frequência, rota, paradas etc., para que dessa maneira a abordagem seja mais fácil.

Por esse motivo, ao realizar o planejamento de rotas, é indicado que as empresas trabalhem com várias opções de trajetos e horários — tanto para as viagens quanto para as paradas. Descansar, abastecer e se alimentar sempre nos mesmos lugares também pode ser um risco, assim sendo, é preferível variar.

Investir em tecnologia

Não deixe de aproveitar os benefícios que a tecnologia moderna oferece. Invista em equipamentos de comunicação, alarmes, botão de pânico, monitoramento e, especialmente, em rastreamento veicular, que é uma das alternativas mais efetivas para inibir o roubo de cargas.

Os índices do roubo de cargas no Brasil são realmente preocupantes e, por esse motivo, a segurança precisa ser um item primordial no planejamento estratégico de qualquer empresa de transportes.

Se quiser saber mais sobre o rastreamento veicular, entre em contato conosco. Nós teremos o maior prazer em ajudá-lo a garantir a segurança de seu veículo ou frota.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *